Vereador é investigado por supostas viagens fantasmas

Jean Rizk

Nossa reportagem teve acesso ao inquérito policial que investiga supostas irregularidades envolvendo o vereador e funcionário público municipal Carlos Alberto Soares da Silva (Carlão da Educação) e outros motoristas, por terem supostamente realizado viagens fantasmas no setor de ambulâncias.

Segundo consta no inquérito policial, o vereador e funcionário público municipal Carlos Alberto Soares da Silva (Carlão da Educação) apresentou relatório de viagem com saída no dia 16/08/2018 às 19:00 horas, visando a transferência de um paciente para o hospital de Jaú.

Durante as investigações foi verificado que o paciente mencionado em tal relatório teria falecido em 28/02/2017, cerca de um ano e meio antes da data indicada no referido relatório.

Além de tal viagem, teriam sido realizadas dezenas de outras viagens que não teriam sido registradas pelo Sem Parar e nem pelo sistema Detecta da Polícia Militar.

Procurado por nossa reportagem, o vereador Carlos Alberto Soares da Silva (Carlão da Educação) afirmou desconhecer as acusações referente às supostas viagens fantasmas, em especial, a viagem para a transferência de paciente que teria falecido muito tempo antes da realização da viagem, alegando que apenas tinha conhecimento sobre a questão relativa à compra das placas pretas e que neste caso, teria apenas feito uma solicitação como vereador para o então secretário de Saúde Wilson Carlos Braz.

Apesar das declarações do vereador e funcionário público municipal Carlos Alberto Soares da Silva (Carlão da Educação), existe um termo de declarações com data de 17 de maio de 2019, realizado na Delegacia Seccional de Polícia de Araçatuba, onde o mesmo “declarou que os relatórios de viagens foram apresentados na forma correta, bem como, reconheceu sua assinatura em todos os documentos, confirmando assim a veracidade das informações neles contidos”.

Na mesma ocasião, ainda declarou que “colaborou para a aquisição de 03 (três) pares de placas pretas, com a autorização do Secretário de Saúde, com a finalidade de amenizar os problemas da quantidade de multas em São Paulo, por motivo de aplicação de multas nos “radares inteligentes” e, nas portas dos hospitais, por falta de ambulâncias suficientes para atender os pacientes”.

O inquérito policial também apresenta a cópia da sindicância instaurada em 11 de janeiro de 2019, através da Portaria nº 16 da Prefeitura Municipal de Penápolis, que apontou o seguinte em seu relatório final de sindicância:

1) Irregularidades nas prestações de contas de adiantamentos no setor de Ambulância;
2) Suposto esquema de frete onde foi constatado que a empresa de transporte contratada não teria realizado uma viagem;
3) Realinhamento de preços causando prejuízo ao erário;
4) Fretamentos desnecessários;
5) Destinação de veículos exclusivos da frota da ambulância para pacientes de convênios puramente particulares;
6) Transferência de pacientes da OS realizadas pelo município;
7) Utilização indevida de placas pretas;
8) Pagamento de horas extras indevidas ao motorista Carlos Alberto Soares da Silva;
9) Pagamento indevido de cora de flores com dinheiro público;
10) Pagamento indevido de hospedagem em Ribeirão Preto e Botucatu;
11) Gasto superior à R$ 16.000,00 com manutenção de veículos do setor de ambulância, desrespeitando o limite de licitação;

O inquérito policial ainda está em andamento, salientando que já foi ajuizada Ação Civil Pública em face do ex-secretário de Saúde Wilson Carlos Braz e do vereador e funcionário público municipal Carlos Alberto Soares da Silva (Carlão da Educação) (Processo nº 1008431-89.2019.8.26.0438), em razão da compra das placas pretas.